Se alguns têm Woody Allen nós temos André Ristum. Uma das maiores promessas do Cinema Brasileiro. Ele dispensa apresentações. Seus filmes falam por ele. Enfim, ele é incrível, assim como suas produções. Ok, Juro que vou tentar deixar meus sentimentos torpes de lado enquanto faço isso... Vamos lá!
Uma breve biografia:
André em visita ao Instituto Criar de Tv Cinema e Novas Mídias.
Apesar de ser filho de brasileiros, André nasceu na Europa e passou a maior parte da vida em Roma. Filho de Jirges Ristum e afilhado de Glauber Rocha, cresceu dentro de set's de filmagens, respirou cinema desde seu nascimento. Rodou seu primeiro filme em Super 8, acredite se quiser, aos 4 anos de idade, ou melhor, aos 3 anos e 4 meses, segundo ele mesmo.
Por mais que seu destino parecesse óbvio, ele ainda tentou seguir uma carreira "normal", mas algo o impulsionou a abandonar o curso de administração e seguir sua sina.
Sua paixão pela sétima arte veio mesmo em meados dos anos 80 quando viu, pela primeira vez, "O último Imperador" de Bernardo Bertolucci, aliás, sua principal influência cinematográfica. Em sua fala deixa claro sua extrema admiração pelo mestre. Ficou encantado com a possibilidade de recriar a vida através de filmes.
Começou a frequentar set's de filmagens como "faz tudo". Dedicado e muito prestativo acabou sendo convidado a assistência de direção no filme "Beleza Roubada" do próprio Bertolucci. Foi o bastante para despertar de vez o cineasta nato que carregava dentro de si.
Trailer de "Beleza Roubada"Mesmo levando uma boa vida na Itália, suas raízes despertavam-lhe muita curiosidade. Queria entender os motivos dos pais terem de emigrar para um país estrangeiro. No Brasil iniciou uma longa pesquisa sobre a Ditadura Militar que ocorreu na mesma época da mudança, o que o levou à produção do documentário "Tempo de Resistência".
Produziu também, através de cartas trocadas entre seu pai e Glauber, o poético "De Glauber para Jirges".
E o biográfico "14 Biz", que retrata a maior criação de Santos Dumont, interpretado pelo ator Daniel de Oliveira.
Entre uma produção e outra e, de quando em vez, editando trabalhos para emissoras de Tv, André se sentia um estrangeiro em seu próprio país, tanto no Brasil como na Itália. Esse sentimento o levou ao seu último e, por quê não dizer, mais importante trabalho como diretor, o longa-metragem "Meu País", estreado em outubro do ano passado.
O filme conta a história de Marcos (Rodrigo Santoro), um empresario casado e bem sucedido que vive na Itália há anos. Ele retorna ao Brasil após um derrame que seu pai, Armando (Paulo José), sofreu. Em terras brasileiras, ele reencontra o irmão mais novo Tiago (Cauã Reymond) e descobre que tem uma meia irmã, Manuela (Débora Falabella), que é portadora de problemas mentais.
Rodrigo Santoro em Cena com Debora Falabella, que interpreta uma jovem deficiente mental.
No filme André deixa clara a influência de suas experiências pessoais. O dilema de ficar dividido entre dois países e duas histórias, vivido pelo personagem Marcos de Rodrigo Santoro. Ele conseguiu retratar de forma leve e poética um assunto delicado, aceitar as diferenças inevitáveis de alguém tão próximo quanto uma irmã e ainda lidar com seus conflitos internos. É incrível e simplesmente lindo.

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