quinta-feira, 17 de maio de 2012

50 ANOS DE LARANJA MECÂNICA




UMA POSTAGEM BEM HORRORSHOW!





Um dos maiores clásicos da literatura do século XX está completando 50 anos. "Laranja Mecânica" (A Clockwork Orange no original), é um livro de ficção científica de Anthony Burgess escrito em 1962. Reza a lenda que ele o teria escrito durante um período de sua vida em que fora diagnosticado com um câncer em fase terminal. Como em muitas outras vezes, e para a nossa alegria, quem estava errado era o médico, e isso, Ó meus irmãos, foi o que fez com que fôssemos agraciados em poder ter em nossas rookers essa obra tão, tão horrorshow, não poderia encontrar palavra que melhor a definisse.

 O nome do livro vem da expressão anglo-saxã "As queer as a clockwork orange", ou em uma tradução simplificada, "Tão bizarro quanto uma laranja mecânica", aliás o que não falta neste livro é o neologismo que causa, propositalmente, uma sensação de deslocação e estranhamento no leitor.

Esta é a última edição lançada no Brasil (e, desculpem, eu o tenho, cof, cof...)

(aproveito o espaço para deixar expressa minha indignação: Livro no Brasil é caro pra "picar alho", se é que vocês me entendem, e aportuguesamento de termos que deveriam unicamente existir em sua língua original, principalmente se foram inventados pelo autor (como no caso em questão), é uma merda! Agradecida.)

O livro é narrado em primeira pessoa pelo nosso malenky Alex, ele e seus droogs capangas Pete, George e Dib, nutridos por impulsos destrutivos, formam uma gangue de malchiks perversos que praticam a violência por mero prazer, são cruéis, uns monstrinhos puros, que vivem em uma, não tão distante, Londres futurística. Em um de seus passeios à procura de um pouco da ultra-violence, Alex acaba sendo pego pela polícia, ou Millicent como eles chamavam. Depois de um longo período preso ele se submete à uma tentativa de recuperação por um processo inovador chamado "Método Ludovico", que promete torná-lo um ser incapaz de praticar o "mau", mas é aí que a o verdadeiro show de horrores começa, Ó meus irmãos, porque nosso sladky Alex, um pobre delinquente juvenil em poder do Estado, é obrigado a confrontar-se com as piores e nada horrorshow experiências de sua vida. Mas me perdoem, Ó meus irmãos, pois sou incapaz de expressar em palavras a tamanha magnitude desta verdadeira obra de arte, que bem poderia ter sido ontem escrita por um punk e hacker chapado.

O livro foi adaptado com louvor pelo grande mestre e diretor cinematográfico Stanley Kubrick, no ano de 1971, com o louvável elenco composto por Malcolm McDowell, Patrick Magee, Philip Stone, Steven Berkoff e Margaret Tyzack.

Stanley Kubrick

 Still do filme "Laranja Mecânica".
Kubrick e McDowell no set de "Laranja Mecânica".

Algumas Curiosidades

Música
  • O grupo brasileiro de heavy metal, Sepultura, se inspirou na história de Laranja Mecânica para conceber seu álbum A-Lex. O título do álbum é um trocadilho com o nome do personagem principal; em latim, a expressão a-lex significa “sem lei”.
  • A banda de hardcore punk Lower Class Brass escreveu uma música chamada “Ultra-violence”(ultraviolência) inspirada na história.
  • A banda de punk britânica, The Adicts, usa um figurino similar ao dos "Droogs", além de ter um álbum intitulado “Smart Alex”(Astuto Alex em português).
  • A banda de punk argentina, Los Violadores, escreveram a música “1,2, Ultraviolento” inspirada na história.
  • A banda de punk alemã, Die Toten Hosen, compôs um álbum baseado em Laranja Mecânica, intitulado Ein kleines bisschen Horrorschau (Um pouco de show de horror em português).

Livro e filme

-Stanley Kubrick certa vez declarou que, se não pudesse contar com Malcolm McDowell, provavelmente não teria feito Laranja Mecânica;

- O orçamento total do filme foi de apenas US$ 2 milhões;

- No livro, o sobrenome de Alex em momento algum revelado. Comenta-se que DeLarge seja uma referência a um momento no livro em que Alex chama a si mesmo de "Alexander the Large";

- Basil, a cobra, foi colocada nas filmagens após o diretor Stanley Kubrick descobrir que Malcolm McDowell tinha medo delas;

- O livro em que Frank Alexander trabalhava quando Alex e sua gangue invade sua casa chamava-se "A clockwork orange";

- Stanley Kubrick propositalmente cometeu alguns erros de continuidade em Laranja Mecânica. Os pratos em cima da mesa trocam de posição e o nível de vinho nas garrafas muda em diversas tomadas, com a intenção de causar desorientação ao espectador;

- O filme foi retirado de cartaz no Reino Unido a mando de Stanley Kubrick. Irritado com as críticas recebidas, de que Laranja Mecânica seria muito violento, Kubrick declarou que o filme apenas seria exibido lá após sua morte;

- A linguagem utilizada por Alex foi inventada pelo autor Anthony Burgess, que misturou palavras em inglês, em russo e gírias.

- Ao contrário do que é mostrado no filme em que Malcolm McDowell que interpreta Alex tinha 28 anos, a gangue de delinquentes era composta por garotos que não tinham mais de 15 anos de idade.

Recomendo, ou melhor, vos imploro, meus queridos droogs, que leiam, e que vejam, esta que é uma obra obrigatória no repertório de qualquer ser humano oomny, ou serei obrigada a tolchocar qualquer coisa em vossas gúlivers. Obrigada.

(todas as palavras estranhas deste post podem ser encontradas no dicionário Nadsat que se encontra no link a seguir http://bagarai.com.br/dicionario-nadsat-laranja-mecanica.html)





terça-feira, 13 de março de 2012

ESSE PROMETE!



 Se alguns têm Woody Allen nós temos André Ristum. Uma das maiores promessas do Cinema Brasileiro. Ele dispensa apresentações. Seus filmes falam por ele. Enfim, ele é incrível, assim como suas produções. Ok, Juro que vou tentar deixar meus sentimentos torpes de lado enquanto faço isso... Vamos lá!

Uma breve biografia:

André em visita ao Instituto Criar de Tv Cinema e Novas Mídias.

Apesar de ser filho de brasileiros, André nasceu na Europa e passou a maior parte da vida em Roma.  Filho de Jirges Ristum  e afilhado de Glauber Rocha, cresceu dentro de set's de filmagens, respirou cinema desde seu nascimento. Rodou seu primeiro filme em Super 8, acredite se quiser, aos 4 anos de idade, ou melhor, aos 3 anos e 4 meses, segundo ele mesmo.

Por mais que seu destino parecesse óbvio, ele ainda tentou seguir uma carreira "normal", mas algo o impulsionou a abandonar o curso de administração e seguir sua sina. 

Sua paixão pela sétima arte veio mesmo em meados dos anos 80 quando viu, pela primeira vez, "O último Imperador" de Bernardo Bertolucci, aliás, sua principal influência cinematográfica. Em sua fala deixa claro sua extrema admiração pelo mestre. Ficou encantado com a possibilidade de recriar a vida através de filmes.

Começou a  frequentar set's de filmagens como "faz tudo". Dedicado e muito prestativo acabou sendo convidado a assistência de direção no filme "Beleza Roubada" do próprio Bertolucci.  Foi o bastante para despertar de vez o cineasta nato que carregava dentro de si.
                                                         Trailer de "Beleza Roubada"
 

Mesmo levando uma boa vida na Itália, suas raízes despertavam-lhe muita curiosidade. Queria entender os motivos dos pais terem de emigrar para um país estrangeiro. No Brasil iniciou uma longa pesquisa sobre a Ditadura Militar que ocorreu na mesma época da mudança, o que o levou à produção do documentário "Tempo de Resistência".


Produziu também, através de cartas trocadas entre seu pai e Glauber, o poético "De Glauber para Jirges".


 E o biográfico "14 Biz", que retrata a maior criação de Santos Dumont, interpretado pelo ator Daniel de Oliveira.



Entre uma produção e outra e, de quando em vez, editando trabalhos para emissoras de Tv,  André se sentia um estrangeiro em seu próprio país, tanto no Brasil como na Itália. Esse sentimento o levou ao seu último e, por quê não dizer, mais importante trabalho como diretor, o longa-metragem "Meu País", estreado em outubro do ano passado.

O filme conta a história de Marcos (Rodrigo Santoro), um empresario casado e bem sucedido que vive na Itália há anos. Ele retorna ao Brasil após um derrame que seu pai, Armando (Paulo José), sofreu. Em terras brasileiras, ele reencontra o irmão mais novo Tiago (Cauã Reymond) e descobre que tem uma meia irmã, Manuela (Débora Falabella), que é portadora de problemas mentais.

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Os dois irmãos, Marcos e Tiago, tem muitas diferenças entre si, e devem lidar com o peso do luto, além de conviver com a nova irmã.


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 Rodrigo Santoro em Cena com Debora Falabella, que interpreta uma jovem deficiente mental.



No filme André deixa clara a influência de suas experiências pessoais. O dilema de ficar dividido entre dois países e duas histórias, vivido pelo personagem Marcos de Rodrigo Santoro. Ele conseguiu retratar de forma leve e poética um assunto delicado, aceitar as diferenças inevitáveis de alguém tão próximo quanto uma irmã e ainda lidar com seus conflitos internos. É incrível e simplesmente lindo.


                                   Filme Meu País   Sinopse, Trailer, Rodrigo Santoro, Cauã Reym, Falabella meu pais poster filme

Indico

  • 1985 (livro) - George Orwel
  • A lista de Schindler (filme) - Steven Spilberg
  • A menina que roubava livros (livro) - John...alguma coisa
  • Admirável Mundo Novo (livro) - Audos Huxley
  • C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor (filme) - Jean-Marc Vallée
  • E claro que você sabe do que estou falando (livro) - Miranda July
  • Eu, voce e todos nós (filme) - Miranda July
  • http://galeriaexperiencia.com.br/blog/
  • La Piel que Habito (filme) - Almodóvar
  • Manhatam (filme) - Woody Allen
  • MAUS (livro/HQ) - Art Spilgman
  • Memórias do Subsolo (livro) - Dostoiévsky
  • Mulheres a beira de um ataque de nervos (filme) - Almodóvar
  • Noiva neurótica, noivo nervoso (filme) - Woody Allen
  • O fabuloso destino de Amelie Poulain (filme) - Jean-Pierre